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Apps de trabalho tomam o lugar dos computadores em empresas
Apps de trabalho tomam o lugar dos computadores em empresas - 11/08/2014

Foi com essa pergunta que, em janeiro de 2010, Steve Jobs, fundador da Apple, começou a falar do iPad, último grande produto que anunciaria antes de sua morte em outubro do ano seguinte. Durante quase quatro anos, as vendas do iPad seriam mágicas, para usar uma das palavras preferidas dos executivos da Apple.

As taxas de crescimento desafiavam as projeções mais otimistas dos analistas de Wall Street. Os concorrentes lançaram suas versões para disputar o mercado criado pelo iPad, e os tablets se multiplicaram — da casa das pessoas ao chão de fábrica. Mas, no começo deste ano, algo mudou para a Apple.

No primeiro trimestre de 2014, as vendas ficaram 16% abaixo das registradas no mesmo período de 2013. No segundo trimestre, a queda foi de 9%. Ao comentar os resultados mais recentes, Tim Cook, atual presidente da Apple, disse que os números estão de acordo com as expectativas da empresa e que não “há motivo” para preo­cupação.

O futuro do iPad, acredita Cook, passa pelo aumento expressivo do uso no mundo corporativo. Se a previsão estiver correta, um mercado ainda mais lucrativo vai ser criado para as produtoras de software.

Em julho, Cook e Virginia Rometty, presidente da multinacional de tecnologia IBM, anunciaram uma parceria global para elevar a presença de iPhones e iPads nas grandes empresas.

A ideia é que ambas as companhias — adversárias mortais nos primeiros dias da computação pessoal — desenvolvam juntas mais de 100 programas para o mundo corporativo e que a IBM sirva de cabeça de ponte para a entrada formal da Apple no mercado de tecnologia corporativa, que deverá atingir 3,8 trilhões de dólares neste ano, segundo a consultoria americana Gartner.

Há mais de 1,2 milhão de aplicativos para o sistema operacional iOS (da Apple), e seus criadores já receberam 20 bilhões de dólares da Apple (a empresa é responsável pela cobrança dos usuários e repassa 70% das receitas aos desenvolvedores).

Não existem números precisos sobre a participação dos programas destinados exclusivamente ao uso corporativo, mas o consenso entre os analistas é que ela esteja crescendo rapidamente.

“Quando se fala em viagem, ‘classe executiva’ significa uma experiência melhor. Em software, é completamente diferente: software empresarial é uma porcaria, a experiência não é boa”, disse Phil Libin, fundador e presidente da Evernote, em uma entrevista recente. A californiana Evernote, fundada em 2008, tem um aplicativo do mesmo nome que já foi baixado mais de 127 milhões de vezes.

O software é um bloco de notas multimídia, que coleta fotos, páginas da internet e gravações de áudio, além de texto, para referência futura. O enorme sucesso entre os consumidores — e entre os investidores, que já colocaram mais de 250 milhões de dólares em capital de risco na companhia — levou a empresa a lançar uma versão do programa para uso corporativo.

O sistema, chamado Evernote Business, conecta-se com o sistema empresarial desenvolvido pela Salesforce, uma das empresas líderes em software de CRM, ou gerenciamento do relacionamento com os clientes. A ideia é facilitar a vida de quem precisa caçar as informações relativas a um cliente que estão espalhadas pela empresa. 

A analogia de Libin com os aviões ajuda a entender o porquê do sucesso dos smartphones e dos tablets nas empresas. Antes mesmo do anúncio do acordo com a IBM, a Apple já vinha conquistando espaço no mundo empresarial.